Autores Contados e Cantados | José Fanha



Data:

30 de Novembro de 2017


Hora:

18h30


Local:

Auditório Maestro Frederico de Freitas

Av. Duque de Loulé, 31 1069-153 Lisboa


Autoria e apresentação de

Carlos Alberto Moniz



“O FANHA DA ‘CORNÉLIA’ AO DAS CANÇÕES PARA AS TELENOVELAS”

O ciclo mensal de Autores Contados e Cantados de autoria e apresentação de Carlos Alberto Moniz, sempre acompanhado pelo acordeonista Pedro Santos, está cada vez mais dinâmico e estimulante. O serão com o convidado da quinta-feira 30 de Novembro foi exemplo disso. José Fanha e Carlos Alberto Moniz constituíram uma dupla tão entrosada e bem-disposta, que quase nos esquecíamos da hora de fecho habitual destas sessões culturais da SPA.

“As pessoas conhecem-nos por faixas, digamos assim: eu, por exemplo, sou conhecido por alguns como o Fanha da ‘Cornélia’ ou por que estive na Guiné com esta pessoa e aquela, pelo Fanha das escolas ou o das canções para as telenovelas. Não juntam tudo. Mas a gente está aqui à volta de tudo isto. É uma vida!”

O desabafo emocionado surgiu quase no final da sessão, em que entrevistador e entrevistado falaram com entusiasmo evidente de todas ou quase todas as facetas do escritor, arquitecto, desenhador, aluno do Colégio Militar, poeta e declamador exímio que é José Fanha.

“Eu não canto que sou muito desafinado”, declarou Fanha, a dada altura, quando o seu parceiro de palco e de muitas andanças por esse país fora a fazer campanhas de alfabetização depois do 25 de Abril, o tentou convencer a acompanhar o “Zarabadim”, a primeira coisa que Fanha escreveu para televisão depois da sua marcante participação no memorável concurso da RTP1 apresentado por Raul Solnado “A Visita da Cornélia”, em 1977, onde esteve 13 semanas no pódio.

Durante a sessão, em que Carlos Alberto Moniz entremeou canções muito conhecidas todas da autoria de José Fanha com declamações deste e no meio de profusa conversa, foram ainda ao palco para cantar Pedro Branco e Filipa Pais.

A declamação de “Eu Sou Português Aqui” por Fanha, que o autor disse na primeira vez que foi à “Cornélia” e que suscitou na altura uma manifestação popular de aquiescência e orgulho de ser português, encerrou a sessão. “Valeu a pena ter vivido para viver o 25 de Abril!”, declarou, puxando dos seus galões de persistente defensor da liberdade e da democracia.

Texto de Edite Esteves