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"Você gosta de Beethoven?" de António Cartaxo e Jorge Ribeiro



Data:

05 de Dezembro de 2017


Hora:

18h30


Local:

Auditório Maestro Frederico de Freitas

Av. Duque de Loulé, 31 1069-153 Lisboa




DRAMATURGIA RADIOFÓNICA “À BEIRA DA LOUCURA”

Em 1977, por ocasião da selecção pela RDP das peças radiofónicas para o Concurso Internacional Pro-Música da Rádio Budapeste, o júri português, constituído por 10 elementos de várias áreas artísticas, deparou-se, com um certo espanto e incredibilidade, entre os 50 guiões apresentados sob pseudónimo, com o programa “Você Gosta de Beethoven?”. Totalmente fora dos cânones até aí concebidos, o júri resolveu chamar um especialista para se pronunciar sobre o valor de tão estranha composição e aquele que viria a arrecadar, posteriormente, o grande prémio internacional, “esteve, assim, a um passo de ser rejeitado”…

A história desta fantástica “dramaturgia radiofónica”, em que, para assinalar os 150 anos sobre a morte do genial Beethoven, considerado um dos compositores mais respeitados e influentes de todos os tempos, “foram entrevistados operários da Sorefame sobre a sua música”, foi contada em pormenor pelo conceituado radialista António Cartaxo, distinguido o ano passado com o Prémio Igrejas Caeiro de Rádio da Sociedade Portuguesa de Autores. A sessão, que decorreu no auditório da SPA, no passado dia 5 de Dezembro, assinalou os 40 anos da conquista daquele prémio e, ainda, os 190 anos da morte de Beethoven, em 26 de Março de 1827.

Jorge Ribeiro, realizador radiofónico – que também trabalhou com António Cartaxo na BBC – encarregou-se, na altura, da investigação histórica para a concretização do programa, enquanto António Cartaxo “desbravou todos os géneros musicais que Beethoven desenvolveu”. O programa de 40 minutos – 10 de palavras e 30 de música, como mandavam as regras -, concebido ainda durante o ano de 1976, foi conseguido em pouco mais de um mês.

“Trabalhámos na BBC e vínhamos com aquele andamento, em que se pegava na rádio num contexto de uma certa insolência, à beira da loucura”, explicou Cartaxo, justificando, o entrelaçar de entrevistas aos trabalhadores sobre música vária de Beethoven e o som das bigornas na fábrica da Sorefame quase ao mesmo ritmo com um poema de exaltação humana de luta pela vida de Miguel Torga e um depoimento do próprio Fernando Lopes Graça. “Aquilo era tudo autêntico!”, afirmou arrebatado.

E arrebatados ficámos todos nós ao ouvirmos “tão bela homenagem a Beethoven, à liberdade, à fraternidade e à alegria que emanam da sua música” e “um hino tão sentido ao compositor e à própria rádio”.

Texto de Edite Esteves