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O incêndio que destruiu Notre Dame empobrece França, a Europa e o Mundo

 A SPA não pode deixar de tornar o público o seu profundo pesar pelo incêndio que destruiu a Catedral de Notre-Dame, em Paris, património mundial da humanidade desde 1991 e peça única e absoluta da cultura e da memória da Europa e do mundo.

Visitada por mais de 13 milhões de pessoas anualmente, a Notre Dame, onde Napoleão foi coroado como imperador, tem, para além do profundo significado religioso, um significado cultural e de civilização que não pode deixar de ser sublinhado nesta hora de perda que tanto afecta a França e o mundo.  O clima de incerteza e insegurança que caracteriza a vida europeia é muito agravado por esta perda. A luta de mais de 400 bombeiros não foi bastante, apesar do profissionalismo e da competência, para evitar a tragédia que a França, a Europa e o mundo profundamente lamentam. É significativo que, nesta hora trágica, se fale da cultura e do muito que ela perde com esta calamidade.
 
A França tem uma história e uma tradição exemplares neste domínio que torna a tragédia ainda mais dolorosa. É importante que a UNESCO já tenha declarado o seu empenho total no processo de recuperação da catedral, que será inevitavelmente muito longo e de resultados ainda imprevisíveis.
 
A SPA já testemunhou à sociedade de autores SACEM, de França, a mais antiga do mundo, a sua solidariedade e o seu profundo pesar. A tristeza causada por esta tragédia deve ser partilhada com as estruturas que representam os criadores culturais de França e da Europa.
 
A data deste incêndio fica na memória colectiva como uma página negra e angustiante. As peças de estatuária salvas antes do incêndio atenuam o pesar, mas não o anulam.
 
Paris perde uma peça única do seu património, do património mundial, merecendo o apoio solidário e comovido dos autores portugueses, que sublinham a necessidade que a Europa tem de pensar nesta tragédia, de acautelar a defesa do seu património, incluindo o português. As chamas que destruíram Notre Dame deixam a marca do que é irreparável e não poderá nunca ser esquecido, em nome de todos.
 
Lisboa, 16 de Abril de 2019