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SPA condena o atentado terrorista no "Charlie Hebdo" e exige a punição dos criminosos e inimigos da liberdade de expressão

 A Direcção e o Conselho de Administração da SPA condenam com indignação e veemência o atentado perpetrado por três terroristas islâmicos que a meio da manhã do passado dia 7 de Janeiro invadiram a redacção do semanário humorístico "Charlie Hebdo" e tiraram a vida, com armas automáticas, a 12 pessoas, incluindo dois agentes policiais que intervieram no local. Entre os jornalistas e cartoonistas assassinados encontram-se alguns dos grandes nomes do humor e do jornalismo crítico actuais com vasto trabalho publicado.

Este atentado terrorista constituiu o mais brutal atentado contra a liberdade de expressão, pilar essencial de todo o trabalho de criação, motivo pelo qual a SPA assume publicamente esta posição, considerando que a liberdade e a democracia podem estar a ser seriamente ameaçadas por defensores radicais de um modelo de sociedade onde não há espaço para a criação e muito menos para a experiência da liberdade. Nunca, nem mesmo em contexto de guerra, se assistiu à invasão de redacções e à destruição física dos jornalistas e criadores gráficos. Também por isso este acto representa uma terrível ameaça para a vida de sociedades democráticas em que o trabalho criador não pode ser silenciado ou destruído a tiro ou à bomba por equipas treinadas para matar e eliminar fisicamente com o máximo de ruído e de impacto mediático.
 
Por ter publicado "cartoons" que visavam as posições mais radicais do fundamentalismo islâmico, o "Charlie Heddo" já havia sido objecto de um atentado terrorista, mas não se rendeu nem se deixou silenciar pelo medo. Também criticou o Vaticano, o casamento "gay", Marine Le Pen e os judeus, mas nunca foi, por isso, alvo de nenhum atentado ou perseguição. Porque eram autores livres, porque existiam e existem numa sociedade democrática e porque era e continua a ser esse o seu legítimo modo de intervir.
 
O que agora aconteceu em Paris, cidade onde triunfou uma revolução que criou os conceitos básicos de defesa dos direitos humanos, representa um atentado contra a liberdade de criar, de comunicar e de ser livre que a Sociedade Portuguesa de Autores não pode deixar de denunciar e condenar, apelando para que não fiquem abertas portas que conduzam a novas e alarmantes formas de radicalização que podem pôr em causa o futuro da Europa e a vida dos seus povos e dos seus criadores.
 
As vítimas do terror islâmico no "Charlie Hebdo" são verdadeiros heróis da liberdade no confronto com os seus carrascos mais ferozes e cruéis. Que se faça justiça e se punam exemplarmente os criminosos para que a liberdade e o trabalho criador possam sobreviver e engrandecer as nossas vidas. 
 
Lisboa, 8 de Janeiro de 2015