Pesar da SPA pela morte de Jorge Palma

A SPA manifesta o seu pesar pela morte, aos 76 anos, de Jorge Palma, cooperador desta instituição desde Agosto de 1982. Jorge Palma foi distinguido com o Prémio Pedro Osório, na sua primeira edição, em Maio de 2012 e com o Prémio Língua Mãe, em parceria com a CMTV, em Maio de 2023.

Nascido em 6 de Junho de 1950, Jorge Palma iniciou cedo os seus estudos de piano, por iniciativa da mãe, tendo concluído já com 40 anos, e com distinção o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional.

Frequentou o Liceu Camões e o Colégio Académico, em Lisboa.

Sendo um músico polivalente, tocou em grupos pop-rock como os “Black Boys”, experiência interrompida pela decisão do pai de o trazer de Santarém para Lisboa, onde retomou os estudos secundários.

Depois, com Rão Kyao, João Maló e Rui Cardoso, entre outros, integrou o grupo “Sindicato”, com o qual gravou em 1971 o seu primeiro “single” intitulado “Smile”. O grupo deu o seu último concerto na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros.

No contacto com José Carlos Ary dos Santos, de quem se tornou amigo, aperfeiçoou a sua escrita poética.

Em colaboração autoral com Ary dos Santos, gravou o EP “A Última Canção”, que tinha dois temas com letra sua.

Recusando-se a cumprir o serviço militar, partiu para a Dinamarca, tendo recebido a declaração de exílio político.

Regressado a Portugal depois do 25 de Abril, iniciou uma intensa actividade como orquestrador, tocando em discos de José Barata Moura, José Jorge Letria, Fausto, Vitorino Salomé e Sérgio Godinho.

Em 1975 concorreu ao Festival RTP da Canção com o tema ”O Pecado Capital”, em autoria com Pedro Osório e interpretada por Fernando Girão, e também “Viagem”, composição de Nuno Nazareth Fernandes, com letra sua. Depois gravou “Té Já”, em 1977, após o que partiu viagem por várias cidades espanholas, tendo como base de vida a cidade de Paris, em cujo Metro cantou muitas vezes, quase sempre sem dinheiro.

Depois de regressar a Lisboa, gravou o LP “Qualquer Coisa Pá Música”.

No início do anos 80 regressou a Paris, voltando em 1982 a Portugal para gravar o LP “Acto Contínuo”. Seguem-se os álbuns “Asas e Penas”, de 1984. Em 1983 nasceu Vicente, o seu primeiro filho.

Depois gravou o LP “O Lado Errado da Noite!”, uma das sua obras mais aclamadas e populares.

Em 1986 gravou “Quarto Minguante”, o seu sétimo álbum de originais e em 1989, “Bairro do Amor”.

Em 1991 editou “Só”, um álbum intimista em que incluiu temas antigos, acompanhando-se só ao piano.

Em 1995 nasce Francisco, o seu segundo filho. Entretanto, em 1996 formou o seu agrupamento “Rio Grande”. Em 1996 editou o disco “Deixa-me Rir”.

Recebeu vários prémios pela qualidade da sua obra e continuou a realizar concertos por todo o país.

Em 2002 recebeu o Prémio José Afonso, da Câmara Municipal da Amadora.

Em Agosto de 2004 gravou no Porto o álbum “Norte”, coprodução de Mário Barreiros. Em 2007 gravou o disco “Voo Nocturno”, o álbum mais vendido de toda a sua carreira. Em Novembro de 2020 tornou-se comendador da Ordem do Infante D. Henrique, por decisão de Marcelo Rebelo de Sousa.

Em 2023 editou “70 voltas ao Sol”, para comemorar a sua chegada aos 70 anos, na sequência de um concerto no Coliseu dos Recreios.

Com os filhos Vicente e Francisco montou o espectáculo “Três Palmas na Mão”, que cruzava várias gerações e reportórios.

Uma das suas últimas actuações foi, em 2025 no espectáculo comemorativo do centenário da fundação da SPA. Morreu vítima de paragem cardiorrespiratória e deixou em todos a memória da sua cordialidade e da sua intensa e imparável criatividade, que aqui recordamos, endereçando à sua família os votos de pesar da cooperativa dos autores portugueses, que duas vezes o distinguiu e o irá admirar sempre.

 

Lisboa, 22 de Setembro de 2026

 

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