A Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores, bem como o seu Conselho Fiscal e a Mesa da Assembleia Geral, reunidos no passado dia 30, manifestaram por unanimidade, a sua estranheza e discordância em relação ao facto de o Ministério da Educação ter anunciado que vai retirar a obra de José Saramago, Prémio Nobel da Literatura, da lista dos autores obrigatórios estudados pelos alunos do ensino secundário.
Relembra a SPA que José Saramago foi e é um dos mais destacados e distinguidos escritores portugueses de sempre, com uma obra que se encontra traduzida em dezenas de idiomas.
Lamenta a SPA que o governo não tenha apresentado qualquer justificação para esta decisão política que priva os estudantes portugueses do secundário do contacto regular com a extensa e muito representativa obra do escritor.
Sublinha a SPA o facto de a sua decisão ter sido tomada por unanimidade por autores de todas as àreas de criação.
José Saramago, que foi presidente da Assembleia Geral da SPA, sempre teve uma participação activa na vida da cooperativa dos autores, com posições de condenação da censura e de privação em relação aos autores portugueses dos seus direitos essenciais e inadiáveis.
Excluir Saramago da lista dos autores estudados representa um atentado contra a grandeza e a intemporalidade da sua obra, esperando a SPA que o governo reveja e corrija a sua posição sobre o assunto.
Lisboa, 31 de Março de 2026


