Morte de José Mário Branco aos 77 anos empobrece toda a cultura portuguesa

SPA manifesta o seu sentido pesar pela morte, aos 77 anos, do cantor-autor, produtor e combatente pela liberdade e pela democracia José Mário Branco, cooperador com o número 576. Em Maio de 2011 a SPA atribuiu–lhe a sua Medalha de Honra.

José Mário Branco nasceu no Porto em 25 de Maio de 1942, filho de professores. Estudou na Universidade de Coimbra e na Universidade do Porto, exilando-se com a mulher em Paris em 1963. Em Portugal foi militante do PCP e desenvolveu actividade militante, tendo sido preso pela ditadura.

Em Paris desenvolveu actividade associativa e musical, tornando-se no início de 1971 produtor e orquestrador da Sassetti para produzir discos como “Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades“, o seu primeiro LP, “Cantigas do Maio“, de José Afonso e também “Sobreviventes“, de Sérgio Godinho, e “Até ao Pescoço“, de José Jorge Letria. Estes discos criaram uma nova sonoridade que afastou canção portuguesa de resistência das limitadas condições técnicas iniciais. Em Paris, no estúdio de Herouville, de Michel Magne, onde gravaram os “Pink Floyd” dispunha de 32 pistas para gravar e do contributo de alguns dos melhores músicos de França.

José Mário Branco regressou a Portugal no dia 28 de Abril de 1974 tendo desde logo dado passos com o objectivo de organizar os cantores políticos. Uma declaração cultural e política debatida por cantores como José AfonsoJosé Jorge Letria e o guitarrista Carlos Paredes veio a dar origem ao canto livre e ao canto popular em que intervieram, nesses anos e nos seguintes, os mais destacados cantores-autores da época.

Ao longo de décadas, José Mário Branco, debatendo-se com grandes dificuldades na relação com o mercado discográfico, gravou discos fundamentais como, para além de “Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades“, “Margem de Certa Maneira“, “Ser Solidário“, de 1982, “Correspondências” de 1990 e “Resistir é Vencer” de 2004. Também compôs música para teatro e cinema e destacou-se sempre pela dignificação do trabalho dos músicos e cantores num mercado complexo em que muitas portas se lhes fecharam.

Nos últimos anos, José Mário Branco assumiu-se como produtor e orquestrador dos discos de Camané que agora se lhe referiu como “um dos mais importantes músicos portugueses do século XX e do século XXI“. José Mário Branco dirigiu a produção de alguns dos mais importantes discos de fado dos últimos anos.

À família do cantor, autor e orquestrador a SPA testemunha o seu pesar solidário, sublinhando que a sua morte empobrece não só a música mas toda a cultura portuguesa que sempre fortaleceu com o seu contributo inteligente e diversificado.

Lisboa, 19 de Novembro de 2019

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