SPA assinala os 30 anos da morte de José Afonso sublinhando a urgência da reedição da sua obra

SPA assinala hoje a passagem do 30º aniversário da morte de José Afonso, recordando e celebrando a excepcional qualidade da sua obra e o seu exemplo de cidadania empenhada nos combates pela liberdade e pela democracia. José Afonso tornou-se associado da cooperativa dos autores portugueses em 20 de Outubro de 1960, adquirindo o estatuto de cooperador em 16 de Fevereiro de 1978, que manteve até ao final da vida, em 23 de Fevereiro de 1987.

A SPA tem recordado de forma regular a sua obra e sua vida, exibindo na sua sede e noutros locais uma exposição evocativa e promovendo debates e reflexões sobre a sua obra.

Para além disso, a SPA tem apoiado juridicamente os herdeiros de José Afonso nas diligências que envolvem, junto de editores, a defesa da sua obra e dos direitos correspondentes, embora esse desígnio hoje dificilmente seja cumprido.

Por outro lado, o presidente da SPA propôs ao ministro da Cultura uma intervenção no sentido de se assegurar a competente e adequada reedição da obra discográfica, por se tratar de uma referência obrigatória da nossa vida cultural e cívica.

Mais do que envolvimento financeiro, o que se pretende é que a esse nível o ministério use a sua autoridade e legitimidade para conferir estatuto de património cultural a uma obra musical e poética que tanto tem marcado a nossa vivência colectiva, desde logo pelo facto de José Afonso ter sido o autor e intérprete da canção-senha do 25 de Abril, acto que também constituiu o reconhecimento público do papel dos cantores políticos no processo de derrube da ditadura de 48 anos. A SPA irá continuar a travar esta luta, por considerar que ela é justa e inadiável.

Entretanto, no ciclo comemorativo que agora decorre, a SPA patrocinou, através do seu Fundo Cultural, a edição da canção “República”, gravada por José Afonso e Francisco Fanhais em Roma, em 1975. No próximo dia 21 de Março decorrerá no Teatro da Trindade um espectáculo evocativo da vida e da obra de José Afonso, com direcção de Carlos Alberto Moniz e com a participação de nomes importantes na memória do canto político.

A SPA tem dialogado com Francisco Fanhais, presidente da Direcção da Associação José Afonso, sobre estas e outras iniciativas que contribuam para recordar o cantor-autor e a qualidade única e inimitável da sua obra.

José Afonso foi um notável autor e intérprete e assim deve continuar a ser recordado e cantado, também em nome dos valores que sempre representou e pelos quais se bateu.

Recorde-se a forma como a canção “Grândola, Vila Morena” voltou a ser um verdadeiro hino cívico durante a contestação de rua às medidas de austeridade que tanto afectaram a vida dos portugueses. Agora é urgente assegurar que o público tem acesso à sua obra e a pode ouvir, celebrar e cantar, pois para isso foi criada. A SPA tudo fará no sentido de assegurar que esse objectivo será cumprido, também como forma de defesa das canções que escreveu e cantou, sempre em nome da dignidade, da solidariedade e da esperança.

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2017

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