Grande pesar da SPA pela morte de Agustina um dos maiores escritores portugueses de sempre

A Sociedade Portuguesa de Autores manifesta o seu grande pesar pela morte, aos 96 anos, da escritora Agustina Bessa-Luís, beneficiária da cooperativa desde Fevereiro de 1969 e cooperadora desde Setembro de 2005.

Numa carreira marcada por uma intensa e constante paixão pela literatura, que assumiu como escritora e também como grande leitora, Agustina foi distinguida com o Prémio Camões e foi, como salientam as mensagens de pesar do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, um dos mais importantes escritores portugueses do século XX e também, acrescenta a SPA, um dos mais importantes criadores da história da literatura portuguesa pela riqueza e diversidade uma obra que incluiu o romance, a biografia, o teatro, a crónica e também a escrita para a infância.

O corpo de Agustina encontra-se em câmara ardente na Sé do Porto e será transportado amanhã para o cemitério do Peso da Régua, onde ficará depositado em jazigo de família. A SPA testemunha à família de Agustina Bessa-Luís o pesar solidário de milhares de autores portugueses.

Agustina Bessa-Luís, filha de pai português, engenheiro dos Caminhos de Ferro, e de mãe espanhola nascida em Zamora, nasceu em Vila Meã, Amarante no dia 15 de Outubro de 1922. Interessou-se muito cedo pelos livros e pela escrita e pode dizer-se que sempre sonhou ser escritora. Cumpriu esse sonho plenamente publicando cerca de 60 títulos.

Agustina estreou-se em livro com a novela “Mundo Fechado”, em 1949, a que se seguiria em 1954 “A Sibila”, em que revela já a sua maturidade como narradora, publicando um dos livros mais marcantes da literatura portuguesa no século XX.

Foi grande admiradora de Camilo Castelo Branco e da sua obra extensa e genial.

Alguns dos seus romances foram adaptados ao cinema por Manoel de Oliveira, caso de “Fanny Owen” de “Vale Abraão”. Não gostava de se deslocar aos locais de filmagem e não gostou de algumas adaptações. Também escreveu teatro e guiões para televisão, vendo o seu livro “As Fúrias” ser adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria no Teatro Nacional, de que foi directora entre 1990 e 1993. “A Sibila” atingiu já a 25ª edição.

Em 2006, depois de publicar ” A Ronda da Noite”, Agustina Bessa-Luís retirou-se da vida literária e pública devido aos constrangimentos impostos pela doença que a condicionaria até ao final da vida.

Para além disso, Agustina foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Nacional, da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras. Agraciada com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada em Abril de 1991, recebeu o título de doutora “honoris causa” pela Universidade do Porto em 2005. A 2004 recebeu o Prémio Camões, sublinhando o júri o modo como a sua obra “traduz a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável que é servido pelas suas excepcionais qualidades de prosadora”.

Era uma mulher de excepcional inteligência e refinado e por vezes muito apurado sentido de humor. Não pactuava com a mediocridade e com a banalidade. Conhecia muito bem o Portugal sobre o qual muito escreveu e deu à língua portuguesa um tratamento de excelência que torna obrigatória e sempre de referência a leitura da sua obra.
Muitos leitores consideraram, durante anos, que Agustina Bessa-Luís era merecedora do Prémio Nobel da Literatura, tendo em conta livros”Um Bicho das Terra”, “Vale Abraão”, “Os Meninos de Ouro”, “As Fúrias”, “Sebastião José” e “Um Cão que Sonha”, entre muitos outros.

Manteve sempre uma produtiva relação com a SPA, continuando a sua obra, após a sua morte a ser representada pelo marido e pela filha de uma forma sempre dialogante e profícua. A cooperativa dos autores portugueses teve a honra e a responsabilidade de a representar durante décadas.

Terça-feira é dia de luto nacional pelo falecimento de Agustina Bessa-Luís.

Lisboa, 3 de Junho de 2019

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