Pesar da SPA pela morte de José Fonseca e Costa

A Direcção e o Conselho de Administração da SPA manifestam o seu pesar pelo falecimento aos 82 anos, num hospital de Lisboa, do realizador de cinema José Fonseca e Costa, beneficiário da cooperativa desde Outubro de 1968 e seu cooperador desde Outubro de 1976.

Nascido em Angola em 1933, José Fonseca e Costa foi distinguido com a Medalha de Honra da SPA pela sua obra nas áreas da televisão, do cinema e da encenação teatral em 2005 e contou com o apoio do Fundo Cultural das SPA, em Abril de 2008, para realizar o seu filme “Os Mistérios de Lisboa”, baseado no livro de Fernando Pessoa “O Que o Turista Deve Saber Sobre Lisboa”, projecto que o acompanhou durante alguns anos e que conseguiu realizar também com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa.

José Fonseca e Costa mudou-se para Lisboa em 1945, tendo frequentado a Faculdade de Direito de Lisboa, sido membro da Direcção do Cine-Clube Imagem, tendo sido crítico de cinema em várias publicações e tendo participado em acções de resistência à ditadura, facto que determinou a sua detenção pela PIDE.

Em 1961, após ter-lhe sido recusada uma bolsa de estudo solicitada ao Fundo do Cinema Nacional, José Fonseca e Costa radicou-se em Itália, onde foi assistente estagiário de Michelangelo Antonioni no filme “O Eclipse”. Foi dirigente do Centro Português de Cinema, da Associação Portuguesa de Realizadores de cinema e Audiovisual e presidente do Conselho de Administração da Tobis Portuguesa entre 1992 e 1996. Foi eleito para o Conselho de Opinião da RTP em 2002. Encenou várias peças de teatro, com destaque para “ O Libertino”, no Teatro da Trindade, em Lisboa.

Da sua extensa filmografia fazem parte, entre outras, as películas “Os Cornos de Cronos” (1989), “Sem Sobra de Pecado” (1982), “A Balada da Praia dos Cães” (1985), “A Mulher do Próximo”/1988), , “Cinco Dias Cinco, Noites”(1995), “O Fascínio”(2003), “Le Blocus” (1990),“Kilas, o Mau da Fita”(1977/80),“Os Demónios de Alcácer Quibir (1975), “O Recado” (1970) e “Viúva Rica Solteira Não Fica”(2005/2006).

Alguns dos seus filmes foram distinguidos com prémios nacionais e estrangeiros. José Fonseca e Costa foi também autor de vários documentários. Em 2012, o realizador foi vítima de um violento assalto no Bairro Alto, tendo sido assistido no Hospital de São José e tendo recuperado.

Nos últimos meses de vida, o realizador estava preparar com o crítico de cinema Jorge Leitão Ramos, membro dos corpos sociais da SPA, um livro sobre a sua vida e obra, com edição conjunta da Imprensa Nacional-Casa da Moeda e da SPA. A edição desta obra, que se segue, com a mesma chancela à dedicada ao realizador Fernando Lopes, será editada em 2016.

José Fonseca e Costa morreu vítima de pneumonia no Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

À família do realizador a SPA dirige um solidário voto de pesar, recordando a importância da sua obra e intervenção pública que tanto marcaram a vida cultural portuguesa durante décadas, desde os tempos da ditadura até à actualidade.

O corpo do realizador sairá às 15 horas de amanhã, terça-feira, directamente do hospital de Santa Maria para o Talhão dos Artistas no Cemitério dos Prazeres.

Lisboa, 2 de Novembro de 2015

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